segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Jardim Amália Rodrigues



Da autoria de Gonçalo Ribeiro Telles o Jardim Amália Rodrigues, em Lisboa, foi assim nomeado em 2000 para homenagear a fadista Amália Rodrigues. Inaugurado em 1996, faz parte integrante do projecto da ligação do Alto do Parque Eduardo VII a Monsanto por acesso pedonal e conhecido por Corredor Verde.

O seu relevo e desenho dão-lhe grande diversidade de ambientes. Possui um grande anfiteatro virado para o vale da Avenida da Liberdade e um lago circular, junto do qual se localiza um bar com esplanada.

O espelho de água é talvez o seu elemento de maior interesse e atracção e no ponto mais alto do jardim existe ainda um restaurante. No jardim foram ainda colocadas duas estátuas, do escultor colombiano Fernando Botero, e do Mestre Lagoa Henriques.

Entrada livre

Guia da cidade

Lima de Freitas

Lima de Freitas (Setúbal 1927 - Lisboa 1998) foi um pintor, desenhador e escritor português, que frequentou a Escola de Belas Artes de Lisboa (curso de Arquitectura) e que esteve inicialmente ligado ao neo-realismo.
O jogo dos contrários, no sentido de uma busca do conhecimento, marca toda a obra do pintor-filósofo Lima de Freitas, figura que a partir dos finais da década de 40, anos do pós-guerra, logo se impôs com uma expressão pictórica contida entre o realismo e a mística, entre o quotidiano e o imaginário, entre a inquietude e o mito. São desse nome de primeiro plano das artes plásticas portuguesas os trabalhos (meia centena) apresentados na exposição agora inaugurada na Galeria Corrente d'Arte, em Lisboa, que abrange algumas das últimas obras do pintor. José Hartvig de Freitas, ao frisar que a obra de seu pai "não é fácil de inserir em teorias de arte", deixou um conselho "Quando olharem para uma obra de arte, olhem, também, com o coração."
A ensaísta Maria João Fernandes, ao prefaciar Lima de Freitas - Um Caminho Secreto, sublinha que o "pintor alquimista desenvolveu, no século XX, um paradigma do conhecimento total, a adequação entre o pensamento e as figuras de uma gramática secreta das formas e dos símbolos que já preocupara Leonardo e onde se inscreve um sentido luminoso unindo os destinos do homem e do cosmos."
As suas obras de arte revelam um profundo conhecimento da tradição mítico-espiritual portuguesa que através dele se revestem de uma grande riqueza. Autor de inúmeras obras, incluindo murais de azulejos de que se destacam os 14 painéis na estação do Rossio, tudo fora inspirado nos Mitos e Lendas de Lisboa, capital de Portugal (Porto-Graal ou Porto da Paz), lugar de Luz ou “Lux-Citânia”, que falta cumprir-se numa Nova Era Universal, a do "V Império" no dizer de Fernando Pessoa ou do Padre António Vieira.

O seu trabalho de "elaborado grafismo, preocupado com o entendimento profundo do quotidiano e em constante atitude crítica e polémica" (Manuel Alves de Oliveira) integrava-se perfeitamente no ideário neo-realista (...).

"Entre um realismo e uma surrealidade mística", Lima de Freitas define a sua obra como "uma contínua investigação do tema , um realismo simultaneamente voltado para o social e alimentado pelo inconsciente" (Manuel Alves de Oliveira, 1990)

NOTA: clicar para ver as imagens em tamanho real.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Palácio da Pena



Constitui o mais completo e notável exemplar de arquitectura portuguesa do Romantismo. Edificado a cerca de 500 metros de altitude, remonta a 1839, quando o rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885), adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Para dirigir as obras, chamou o Barão de Eschwege, que se inspirou nos palácios da Baviera para construir este notável edifício. Extremamente fantasiosa, a arquitectura da Pena utiliza os "motivos" mouriscos, góticos e manuelinos, mas também o espírito Wagneriano dos castelos Schinkel do centro da Europa. Situado a 4,5 Km do centro histórico.

Morada:
Situado a 4 Km do centro histórico, dentro do Parque da Pena.
Estrada da Pena
2710-609 Sintra
Tel.: 21 910 53 40
Fax.: 21 910 53 41
E-mail: geral.pnp@parquesdesintra.pt
Website: www.parquesdesintra.pt

domingo, 22 de novembro de 2009

Sintra - Roteiro Romântico



Sintra, espaço privilegiado no contexto do romantismo português, onde a Pena, Monserrate, Regaleira ou a Vila Velha imortalizam todo um conjunto de cenários marcantes da época, convida-nos a efectuar diversos percursos, em que podemos fazer uma abordagem histórica, filosófica, artística, literária e social do movimento romântico.

Assim, e nesse cenário natural tão peculiar de Sintra, que D. Fernando II coroou, poderemos, não apenas, descobrir os palácios e o casario oitocentista, como calcorrear os passos dados por Byron, Beckford, Herculano ou Garrett.

Sintra - Roteiro Medieval



Mergulhado em fascinantes cenários históricos e lendários, torna-se possível fazer uma abordagem conciliadora da História, e das características urbanas e naturais da Sintra Medieva, com a própria realidade nacional e sua consequente expressão universal.

Numa atmosfera de histórias e lendas, é feito um percurso abrangente das três zonas medievais sintrenses (Castelo, Arrabalde e Vila), com especial relevo para o Palácio Nacional de Sintra, malha urbana, Castelo dos Mouros e Igrejas Coevas, não esquecendo, todo um conjunto de particularidades da realidade Cultural Saloia.

Cada pedra que pisamos ao percorrer as calçadas e ruas da velha urbe conta-nos uma história, uma lenda, uma curiosidade que aquele beco, aquela fonte aquele jardim, encerra entre si. Essas histórias remetem-nos, frequentemente, não apenas para a realidade sintrense, mas, também, para a universalidade da cultura portuguesa.

É, pois, sob os auspícios das nossas colossais chaminés, que propomos, a todos, uma caminhada por esta Vila serpenteada na serra, rumo à fortaleza mais alta que nos proporciona uma visão tão deslumbrante como grandiosa destas terras saloias. Ao contemplá-las podemos, então, compreender as palavras do velho poeta árabe Ibn Mucana que a estas paragens demandou e escolheu para viver:

“Deixei côrte luzidia,
E o seu luxo absurdo.
Em Alcabideche estou
No campo silvas cortando
Com a podoa trabalhando.
Se alguém te perguntou
Se do teu trabalho gostas
Respondesses-lhe que sim:
Quem ama ser livre assim
De bom carácter dá mostras
Orientando pelo amor
E dádivas que eu colhi

Sintra - Roteiro Queirosiano



Eça de Queirós utilizou como fonte de inspiração para algumas das acções descritas nas suas obras ambientes da Sintra oitocentista, em Alves e Companhia, A Correspondência de Fradique Mendes, O Primo Basílio, A Tragédia da Rua das Flores e Os Maias, podemos encontrar magníficas descrições dos locais e da atmosfera que se vivia nesta vila cortesã e que hoje nos permite realizar passeios pelo Centro Histórico da Vila Velha (antigo Passeio Público), num caminhar tipicamente romântico, temperado por uma arquitectura natural e humana ímpares, relembrando os passeios das personagens daquelas obras.

Carlos da Maia conduz-nos na busca do seu amor impossível por Maria Eduarda do " passo de Deusa maravilhosamente bem feito (...) dos cabelos doirados (...) dos olhos escuros e profundos". O Maestro Cruges, por seu turno, desperta-nos o interesse pela Sintra das queijadas e da manteiga fresca, dos passeios clássicos à Pena, à Fonte dos Amores, à Várzea de Colares para nela barquejar.

Pelo caminho, o recordar da Vila Velha, com o seu mercado e três dos seus hotéis: «O Nunes» "das pandegas fáceis", o «Vitor» funcionando também como uma espécie de Casino, e o «Lawrence», o mais antigo da Península Ibérica e o mais requintado de Sintra.

Por fim, a Estrada Velha de Colares, com a água da Cascata dos Pisões, o musgo dos muros que a ladeiam, e os palácios e jardins das belas quintas; o encontro com Alencar, poeta ultra-romântico, a lembrar os "mil ais" soltados no Penedo da Saudade, envolto nas suas lendas de moiras e cruzados, e escondido pelo Palácio de Seteais. E é na rampa, para lá do arco que une os dois corpos do Palácio, que podemos observar um belo quadro retratado por Eça, numa das mais belas passagens da sua obra:

"No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor, Era no primeiro plano o terreno, deserto e verdejante, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e, emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda a cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro (...)".

Sintra



EM 1992, a UNESCO alargou as categorias do Património Mundial e acrescentou a de Paisagem Cultural que se divide, ela própria, em três sub-categorias.
Pode parecer difícil definir claramente e delimitar uma paisagem que inclui sítios diversos ligados por um carácter geral comum. De resto, uma paisagem nunca é estática; ao contrário, ela está sempre sujeita às mudanças o que a torna difícil de preservar. É sobretudo o caso das paisagens culturais, testemunhos do cunho humano, sempre dinâmico, mas permitindo também que os elementos naturais sigam os seus ritmos biológicos próprios.
A candidatura de uma paisagem cultural para inclusão no Património Mundial exige uma mistura excepcional de sítios naturais e culturais num quadro exemplar. A Serra de Sintra corresponde-lhe de uma forma convincente. Vista de longe (ou a partir de uma fotografia aérea) ela dá a impressão de uma paisagem muito mais natural que se distingue bem dos arredores: uma pequena cadeia montanhosa granítica coberta de florestas, elevando-se da região rural (também ela entrecortada por montes e vales) entre Lisboa e o litoral. Vista de mais perto e percorrendo-a, a Serra revela marcas culturais de uma riqueza surpreendente, cobrindo vários séculos da história de Portugal.
Esta história irradiava da velha vila de Sintra, escolhida como lugar de um palácio real medieval, beneficiando de uma situação climática muito específica no país (e mesmo relativamente à região mediterrânica): verões frescos e invernos doces e soalheiros. A Corte e os nobres do país estabeleciam-se em Sintra e nas vertentes Norte da Serra, ao longo das quais foram erguendo sumptuosas villas e quintas rodeadas de jardins e parques de estilo artístico e de uma flora luxuriante. Por outro lado, a solidão da Serra e suas florestas atraíam monges e eremitas que a enriqueciam de conventos e de ermitérios introduzindo-lhe o aspecto religioso-cultural.
O apogeu deste desenvolvimento extraordinário da paisagem de Sintra foi atingido com o reinado de D. Fernando II da dinastia Saxe-Cobourg-Gotha (1836-1885). Muito ligado a Sintra e à sua paisagem pelas quais nutria um grande afecto, este rei-artista implantaria aqui o romantismo de uma forma esplêndida e única para as regiões mediterrânicas. O rei adquiriu o Convento da Pena situado sobre uma montanha escarpada e transformou-o num palácio fabuloso e mágico, dando-lhe a dimensão máxima que apenas um romântico de uma grande visão artística e de uma grande sensibilidade estética podia sonhar. Este antecipa, por assim dizer, o célebre Castelo de Neuchwanstein erigido por Luís II da Baviera. Além disso, D. Fernando II rodeou o palácio de um vasto parque romântico plantado com árvores raras e exóticas, decorado com fontes, de cursos de água e de cadeias de lagos, de chalets, capelas, falsas ruínas, e percorrido de caminhos mágicos sem paralelo em nenhum outro lugar. O rei tomou também o cuidado de restaurar as florestas da Serra onde milhares de árvores foram plantadas, principalmente carvalhos e pinheiros mansos indígenas, ciprestes mexicanos, acácias da Austrália, e tantas outras espécies que contribuem perfeitamente para o carácter romântico da Serra.
Assim evoluiu na Serra de Sintra uma paisagem cultural de um valor eminente e singular. Do ponto de vista mais natural, associa componentes das floras mediterrânicas e setentrionais a centenas de árvores e flores exóticas num quadro de jardins, parques e florestas verdadeiramente único.
Merecidamente, Sintra foi classificada Património Mundial, no âmbito da categoria “Paisagem Cultural”, no dia 6 de Dezembro de 1995, durante a 19ª Sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO realizada em Berlim.



In "Sintra Património da Humanidade"